quarta-feira, outubro 31, 2012


ANTOLOGIA DE CONTOS ERÓTICOS

Coletânea, que está saindo pela Geração Editorial (SP), será concorrente nacional do best-seller “Cinquenta tons de cinza”

“50 versões de amor e prazer – 50 contos eróticos por 13 autoras brasileiras”, livro organizado pelo professor de literatura da UFPB e escritor Rinaldo de Fernandes, é um concorrente nacional, mas primando pelo grande valor das narrativas, pela grande qualidade das autoras, do best-seller “Cinquenta tons de cinza”. A escritora baiana Állex Leilla integra a coletânea com quatro contos: “Hot dog”, “Epiceno”, “Souvenir” e “Três elefantes”.
“50 versões de amor e prazer”, que está saindo pela Geração Editorial (SP) e chega às livrarias de todo o país daqui a duas semanas. traz, segundo o organizador, uma série de contos primorosos, de alta qualidade literária. As 13 escritoras que integram o livro são todas importantes e premiadas no cenário da literatura brasileira atual. São elas: Ana Miranda, Ana Paula Maia, Andréa del Fuego, Ana Ferreira, Állex Leilla, Cecilia Prada, Heloisa Seixas, Juliana Frank, Leila Guenther, Luisa Geisler, Márcia Denser, Marilia Arnaud e Tércia Montenegro.
Hoje, segundo o longo ensaio de Rinaldo de Fernandes que vem como posfácio do livro, em poucas obras literárias há um bom tratamento do tema do erotismo. Esta “50 versões de amor e prazer” vai de encontro a uma série de outras obras justamente por trazer peças de grande qualidade. As 13 autoras reunidas na coletânea constituem um conjunto primoroso de talentos.
E como é elaborado o erotismo na obra? Ainda segundo o ensaio do organizador, “ora romântico, refinado, implícito, ora obsceno, pervertido, bizarro – reflete de algum modo, e criticamente, nos momentos mais crus, a cultura da pornografia, a indústria do sexo e seus incontáveis produtos”.
“Hot dog”, de Állex Leilla, flagra uma mulher no trânsito que de repente se depara com um “ex-amigo” – e aí lhe ocorrem imagens intensas, de instantes que ela passou com o rapaz; a mulher revive ao volante cenas de sexo bizarro. “Enquanto seu lobo não vem”, de Ana Ferreira, é escrito em forma de carta, da mulher para o marido pedófilo.
“A sesta”, de Ana Miranda, é um conto notável – ativa o apetite do leitor ao associar os campos semânticos do sexo e do paladar. “Perversão”, de Ana Paula Maia, é a história de um homem casado cujo prazer erótico está em seduzir outras mulheres e dispensá-las após um jantar romântico, deixando-as arrasadas. “O amante de mamãe”, de Andréa del Fuego, é demolidor – a mãe e o pai, as aparências preservadas, optam pela traição; a filha almeja um amante como o da mãe.
Cecilia Prada, em “Insólita flor do sexo”, de um erotismo requintado, relata as descobertas de uma menina de 13 anos num colégio de freiras (tem o desejo despertado por uma das freiras que parece “um homem” e que a menina, retocando-lhe a figura, imagina ser seu “namorado”).
“Romance de calçada”, de Juliana Frank, é magistral – trata-se de uma pequena obra-prima da narrativa sadomasoquista. “Pérolas absolutas”, de Heloisa Seixas, traz como protagonista uma mulher que circula de carro na noite e se depara com um travesti – a narrativa expõe os subterrâneos, as sombras por onde os seres, solitários e sequiosos, deslizam na grande cidade. “Romã”, de Leila Guenther, é a história de Lia e sua relação com um professor de psicologia. No conto um incesto é insinuado.
Luisa Geisler tem apenas 21 anos e é uma das revelações da literatura brasileira. “Penugem”, com um narrador-personagem astuto, aparentando não ser o que de fato é (um pedófilo, “espectador” de sua própria filha), é um conto estupendo. As protagonistas de Márcia Denser são irônicas, liberadas, permissivas – uma das melhores cenas de sexo de nossa literatura é a do desfecho de “O animal dos motéis”.
Marilia Arnaud é uma contista impiedosa – o premiado “Senhorita Bruna” é sobre ciúme e vingança (traz uma frenética cena de masturbação). “Curiosidade”, Tércia Montenegro, com a protagonista numa varanda, “nua e indefesa”, induzida pelo parceiro, explora o tema do exibicionismo. “Um caso familiar”, também de Tércia, é um conto imaginativo e impactante – Jéssica, a amiga da narradora, pratica sexo (ménage) com Rubem e a avó deste.
“50 versões de amor e prazer”, certamente, é representativa da boa literatura feita por mulheres hoje no Brasil.



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